Epilogo

Epílogo

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Epílogo

Capítulo um

Arthur não conseguia dormir e vagava a noite pelo castelo. Sua área favorita eram os cômodos selecionados para os turistas onde estavam expostos as grandes memórias de toda a gloria dos seus antepassados. Como todos os membros da família real ele podia transitar tranqüilamente por aquela área aonde em meio aos quadros e armaduras podia escutar as vozes dos antigos cavaleiros em tempos de gloria.

No salão principal exposta em uma câmara especial e intocada por mãos humanas por séculos estava a maior de todas as armas conhecidas pelo homem Excalibur a rainha de todas as espadas mágicas. Mal podia imaginar quão fantástico deveria ser aquele o qual se originou seu nome empunhando tão majestosa arma.

- Não consegue dormir majestade? – Uma voz muito conhecida veio de um canto mal iluminado da sala.

- Sir Hopkins! – Arthur deu um sorriso ao reconhecer seu tutor e praticamente segundo pai. – Eu só estava pensando.

- Sobre sua ida para Sephirot ou seu desejo de viver aventuras como seus antepassados?

- Aquilo era coisa de criança. Estou fazendo isso por responsabilidade.

- Mesmo não sendo herdeiro do trono o senhor deve dar o exemplo entrando nas forças armadas com os outros jovens que lutam. Pois é um membro da casa real e isso lhe deu obrigações e responsabilidades.

- Exatamente! Vocês mesmos que me ensinaram isso. Tenho que cumprir meu papel como membro da casa real.

- Sim! Mas não deveria exagerar. Mesmo que queira parecer o senhor ainda é humano.

- Não tão humano assim Sir Hopkins. Eu sou um símbolo e tenho toda consciência disso. Assim como Excalibur. Ela é a arma mais poderosa de todas, mas em guerras aonde aviões bombardeiam, magos lançam feitiços e canhões atacam a quilômetros de distancia uma espada não é muito eficiente, não importa qual seja seu poder. O verdadeiro poder de Excalibur reside em sua lenda. Enquanto a tivermos a Inglaterra e todos os reinos unidos serão invencíveis.

- Muito bem colocado majestade. – Hopkins bateu palmas pra Arthur.

- Mesmo assim eu queria ter ido à cerimônia de abertura com os outros alunos normais.

- O senhor ira discretamente durante o festival.

- Por que toda essa preocupação com a minha ida para o Castelo?

- O Castelo não é mais uma escola de magia secreta para os magos que iriam viver infiltrados entre os sonâmbulos que não sabem que existe magia. Hoje as pessoas sabem dos magos e estamos em uma guerra. Muitos poucos alunos conseguem completar todo o curso de Sephirot.

- Porque? Eles desistem?

- Não! Eles morrem.

- Acredito que é mais um motivo para que eu vá.

- Sempre destemido senhor. Sempre destemido.

- Eu estava pensando nos boatos.

- As histórias sobre sua mãe e James o motorista? Não devia dar credito a essas bobagens de tablóides. Só as pessoas nas colônias acreditam nelas. Apesar de divertidos não são necessariamente sérios.

- Não é isso! Eu estou preocupado com as histórias sobre o recente ataque das forças imperiais.

- Sabem o que dizem. Reinos são do bem e impérios são do mal. Por isso deixamos o império britânico e nos tornamos apenas reinos unidos.

- Você não ouviu os boatos sobre o ataque no mar negro ser obra dos aliados para obrigar os eslávicos a se aliarem ao governo mundial?

- Não! Parece-me uma fantasia bem criativa. Esse tipo de estratégia militar acabou há alguns séculos atrás e é muito comum quando um país atinge uma posição de privilegio seus próprios cidadãos procurarem motivos para o verem como um opressor. Acredito que seja da natureza simpatizar com o mais fraco e se unir para lutar contra o mais forte. O esforço comunitário faz parte de nossa índole. Humanos são uma espécie sociável.
Não se esqueça disso.

- Neste caso o império é mais fraco do que nós.

- Eu não diria isso. A prepotência gerada pelo nosso avanço pode ser prejudicial. Nós temos vidas agradáveis e confortáveis, muitas vezes a população sofre de uma falta de propósito. Mas os países do império são muito pobres e seus exércitos são formados por pessoas ignorantes e desesperadas. Por aqui dizemos que os bruxos do império são segregacionistas por colocarem as pessoas normais como seus inferiores, mas do ponto de vista deles acreditam que os bruxos são escolhidos por seus deuses e nós somos culpados pelo seu sofrimento. Eles estão dispostos a servir seus mestres e morrer nos enfrentando.

- Então a ignorância deles os torna mais perigosos.

- Exatamente! Enquanto nós nos preocupamos com eles por serem pobres iludidos eles nos vêem como terríveis inimigos que se aproveitam deles para termos nosso conforto.

- Nós nos aproveitamos deles? De onde tiram essas idéias?

- Eles assistem e querem ter nossos produtos e nosso padrão de vida, mas não sabem como e se sentem muitos frustrados. Claro que poderiam se unir para construir pontes e estradas, mas como são ignorantes, não possuem engenheiros nem alguém que lhes diga como ou o que fazer. Seus líderes se aproveitam dessa situação para saciar sua sede de poder e ao contam mentiras para canalizar tanto a raiva e frustração quanto a vontade de trabalhar em equipe e melhorar de vida.Um líder carismático pode facilmente lograr uma multidão de pessoas ignorantes por não terem senso critico para questioná-lo.

- Mas esses países não possuem escolas.

- Sim! Mas as escolas são apenas depósitos de crianças aonde no mais os ensinarão apenas a seguir as idéias que lhes interessam. Nosso pior problema é que enfrentamos um inimigo desesperado que não se importa em morrer, enquanto por aqui nos julgamos bons demais para temê-los.

- Mas é isso mesmo Sir Hopkins. Dizem que estávamos preparados para o momento em que o império conquistasse a Turquia organizássemos um ataque em massa nos países próximos para obrigar os países aliados.

- Esse pensamento não deixa de subestimar o inimigo. Somos tão poderosos que podemos atacar um país aliado apenas para criar um ardil? Eu acho que não jovem príncipe. Quando as pessoas entregam seus destinos e vontade para uma pessoa, dão mais poder que um ser humano é capaz de suportar. Por mais belas e sedutoras que sejam suas palavras nunca houve um candidato a ditador que não fosse mal e causasse problemas para a humanidade e nunca haverá. Não se esqueça disso.

- Também não me esqueço que já houve inimigos dentro de nosso próprio governo. Lembre-se que Mordred tentou roubar o reino do próprio pai. Eu recebi o nome dele e não vou me esquecer disso. E na pior das hipóteses sempre teremos Excalibur a mais poderosa de todas as armas.

- Infelizmente eu creio que em uma época em que as guerras não acontecem mais em campos de batalhas e as armas alcançam quilômetros de distancia, uma espada mágica não é tão útil quanto antes.

- Mas ela é um símbolo. E símbolos podem ser mais poderosos que qualquer arma.

- Muito bem lembrado jovem príncipe. Muito bem lembrado. – Hopkins bateu palmas. – Acredito que seria apropriado ir para cama agora.

- Não consigo. Em poucas horas vou estar a caminho do castelo.

- Ansioso para reencontrar seus amigos de infância? Vocês sempre brincavam quando o pai deles vinha dar aulas particulares aos seus irmãos. Qual era o nome dos filhos do diretor Dietrich mesmo?

- Derek e Nimiane.

- Talvez um pouco de chá lhe ajude a dormir. Temos algumas ótimas ervas que vieram da índia. Amanhã você estará com seus amigos e se tornara... Como é que os alunos chamam os novatos mesmo?

- Arkanoides. Amanhã eu serei o mais novo Arkanoide.

Capítulo dois

Antes que o sol nascesse uma reunião especial foi formada secretamente. O diretor Dietrich, o professor Maddox, A professora Jones, Divina e Lucy discutiram os eventos da noite anterior com os alunos Kazam, Janus, Thomas, Yuna e a aparentemente sonolenta Lumina.

Allissandra, Belle, Kassandra, Maiara e Nycole estavam exaustas e foram liberadas para poder dormir. Atendendo a pedidos de Lucy e o professor Maddox a doutora Tibiriçá não fez nenhum exame nas garotas.

Lucy fez um relato preciso e detalhado sobre tudo o que aconteceu, com exceção ao fato dela ter bebido sangue de Allix ou recuperado seus poderes. Todos os seus feitos de magia foram atribuídos aos cajados emprestados pelas garotas. Como todas as garotas receberam poções de nutrientes antes de dormir ninguém ficaria sabendo da perda de sangue de Allix, nem ela própria.

Durante o relato, várias perguntas forma feitas, sempre com a supervisão da professora divina. O fato da maioria das informações ter sido fornecida pela Allissandra do futuro todos tiveram grande relutância a acreditar. Ninguém sabia do que acontecera com Allix no futuro, pois desde o incidente estava dormindo profundamente.

Após ponderarem sobre o assunto Medhal fez algumas sugestões de segurança um pouco exageradas, entre elas cogitar adiar o festival de outono.

- Medhal, sua paranóia está passando dos limites. – Reclamou o Diretor.

- Erik você escutou a história sobre as mudanças do tempo.

- Sim! Ela disse que o melhor e mais exemplar cadete de toda a história desta academia, filho do diretor, meu filho, está planejando assassinar um colega sem nem ao menos ter um motivo pra isso.

- E quanto ao caso do estádio e da pista de corrida?

- Isso não quer dizer nada. Derek já foi muito mais humilhado por seu orgulho do que perder uma disputa boba contra Rembrandt quando nem conseguia ficar de pé. O sinal da pista caiu porque eles foram lá mexer nele. Não poderia acontecer com qualquer sinal em qualquer outra curva.

- Esqueceu o motivo pelo qual apenas nós estamos aqui? – Medhal falou com os outros. – De acordo com os sonhos que Allix vem tendo, todos vocês vão morrer na próxima semana. Tudo por causa do seu filho.

- É claro que a menina vai ter pesadelos com Derek como vilão. Ele a caçou a menos de 30 dias e nós sabemos como ele pode ser assustador.

- Senhores! – Maddox chamou a atenção visivelmente alterado. – Deixem de exaltar os ânimos e vamos nos concentrar no problema. Medhal, você deve compreender a posição de Derek. O filho dele está sendo diretamente acusado. Derek, você também não deve fechar os olhos ao que está acontecendo.

- Está insinuando que Derek realmente faria isso? - Reclamou Dietrich.

- Existe essa possibilidade. – Afirmou Divina. – Até eu posso ver isso entre o emaranhado do destino.

- Derek será vigiado! – Afirmou a senhora Jones. – Nem que eu tenha que mobilizar todas as casas de paus. Teremos seu filho sob nossos narizes todas as horas do dia, mesmo quando for no banheiro. O mesmo acontecera com Rembrandt. Ele será protegido de qualquer ameaça. Mesmo que tudo já tenha se resolvido.

Kazam suspirou.

- Eu mesmo devo admitir que cometi um erro. – Confessou o professor Maddox. – Não deveria ter ligado a minha força vital a de Rembrandt. Vou compartilhar minhas forças com outras fontes hoje mesmo, assim ele não será um alvo para que alguém queira me atingir.

- Sim! – O diretor se acalmou. – Essa visão do futuro mostra também que nossas responsabilidades se estendem muito além do castelo. Temos que nos esforçar para diminuir esse mal entendido sobre a posição do governo. A última coisa que eu desejo é incentivar o fascismo ou a discórdia entre místicos e sonâmbulos.

- E quanto ao subsolo! – Lembrou Medhal. - Os Gwecopyns estão soltos e muito longe de sua localização original.

- Se Lucy achar que devemos nos preocupar com o problema... – Derek encarou a professora Western. – Ela esteve lá com as garotas. Mais do que ninguém pode dizer se isso é urgente ou se pode esperar.

Lucy bufou sem interesse. – Nada de preocupante.

Medhal não pode deixar de lançar um olhar de descontentamento, mas foi simplesmente ignorado por Lucy.

- Devo admitir que a atuação de Lucy superou nossas expectativas. – Elogiou Maddox. – Finalmente aceitou nossa oferta de se mudar para o dormitório feminino. Espero que seu desejo de morar nas catacumbas, apenas para se afastar das defesas do castelo e ter um pouquinho mais de poder já deve ter acabado.

- Tens razão. – Sorriu Lucy pensativa. – Não preciso mais morar nas catacumbas para ter um tiquinho a mais de poder.

Capítulo três

Lumina bocejava enquanto caminhava ao lado de Janus, Kazam, Thomas e seus pais adotivos o professor Maddox e a senhora Jones, após a reunião secreta sobre as desventuras no subsolo do castelo.

- Você deveria descansar, minha querida. – Aconselhou a senhora Jones. – Todas as outras garotas estão dormindo. Apesar de não ter participado de toda a aventura, ontem você convocou um arcano maior. Mesmo usando a energia de um cajado deve ter lhe desgastado muito.

- Isso não foi justo. – Lumina resmungou. – Nem mesmo me chamaram. Maiara nem mesmo fazia parte da turma. Na hora boa me deixaram de fora.

- Hora boa? – Estranhou Thomas. – Eu pensei que elas quase morreram umas cinco vezes.

- Exatamente! – Lumina piscou muito cansada. – E eu perdi isso.

- Você vai se acostumar. – Sorriu Janus. – Eu também estranhei isso no começo.

- Eu queria ter tido uma aventura assim quando tinha essa idade. – Suspirou à senhora Jones. – Arriscar a minha vida de uma forma nobre e empolgante.

O professor soltou uma leve risada.

- Culpa do Rembrandt! – Apontou Lumina. – Ele que trouxe todo mundo pra essas coisas. Eu mesmo era bem tranqüila antes de conhecer ele.

- Eu tenho que reclamar disso. – Protestou Kazam. – Por que eu sempre recebo essa fama. Desta vez eu nem ao menos estava envolvido.

- Como assim? – Lumina encarou Kazam zangada. – Tudo começou por sua causa em Galita e até onde eu sei a história aqui não era salvar a sua vida? Você foi o centro de toda essa bagunça.

Kazam pensou e concordou.

- Mas você salvou o dia não foi? – A Senhora. Jones cutucou Lumina. – Deu uma boa surra na Allix como você queria. Eu vi como você a trata.

- Não foi bem assim. – Lumina ficou pensativa. – Aquela Allix do futuro lutava no mesmo nível que o Medhal e podia fazer as piores magias só estalando o dedo. Na verdade só se defendeu. Se tivesse atacado mesmo, acho que teria acabado com a gente em um instante. No fim ela deixou a gente ganhar.

- Você não deve querer enfrentar um inimigo assim nunca mais, não é mesmo? – Perguntou Thomas.

- Pelo contrario. – Lumina sorriu entusiasmada. – Eu tenho é que ficar mais forte pra quando encontrar outro desses.

- Ela derrotou um Troll a cabeçadas. – Lembrou Janus.

- Não acredito que isso aconteça tão cedo. – Observou o professor. – Pelo que Lucy nos falou ela manteve seu poder no mínimo possível para não despertar nenhuma das defesas do castelo. Também derrotou três vigias sozinha, o que a colocaria no mesmo nível de um cavaleiro dragão. Além disso ela podia fazer magias avançadas apenas estalando um dedo. Não seria impossível pensar que ele pudesse ser nível Omega.

- está brincando! – Lumina se espantou. – Allix nível Omega? Ela seria tão poderosa quanto o próprio Merlin.

- Isso não é impossível, minha querida. – A senhora Jones fez um agrado nela.

- Mesmo assim eu quero enfrentar ela. – Sorriu Lumina. – Se ela pode ficar tão forte assim, eu também posso.

- Eu prefiro não enfrentar nada. – Confessou Kazam. – A vida já é movimentada o suficiente pra mim.

- Pergunto-me se a irmã dela continua com a aura cinza e murcha. – A senhora Jones ficou pensativa.

- A aura de Belle melhorou muito. – Maddox respondeu.

- E quanto ao time Arkanoides? – Perguntou Thomas.

- Realmente! – Concordou Maddox. – Acha que vão conseguir com as outras garotas cansadas desse jeito?

- Não vamos desperdiçar todo seu esforço pra pilotar o carro Thomas. Até amanhã elas vão estar bem. – Kazam afirmou confiante. – Esse festival vai ficar na história como o festival dos Arkanoides.

- Das Arkanoides Star! – Corrigiu Lumina.

- Isso ainda é ridículo. – Janus resmungou. - Se tiver que gritar Max Hearth pra vestir isso eu nunca vou colocar essa roupa.

- Max Hearth é a palavra mágica das garotas. – Corrigiu Kazam. – Nós nos trocamos dizendo: Splash Star.

- Você faz parecer como se não fosse pior.

- Como hoje não tem aula, eu vou levá-la até seu quarto. – Anunciou a Senhora. Jones. – Você está precisando de uma boa soneca.

- Mas eu não quero perder nada. – Lumina Choramingou como uma menina mimada. – Hoje começa o festival.

- Você detesta essas coisas. – Afirmou Kazam. – E precisamos de você bem acordada para as competições amanhã.

- Ta legal. – Lumina fez bico de contrariada, mas realmente estava morrendo de sono.

- Acho que vamos nos despedir agora. – Anunciou o professor.

- Porque? – Estranhou Lumina. – Aonde o senhor vai?

- Devido aos últimos acontecimentos eu vou retirar de Rembrandt o fardo de guardar meu vinculo vital sozinho. Eu sei que já deveria ter feito isso antes e não devo mais me prolongar. Vou até um laboratório secreto aonde passarei o resto da semana e irei vincular minha vida aos cavaleiros dragões e mais alguns entes queridos que insistiram.

- Pois eu também insisto. – Insistiu Lumina.

- Acho que seria melhor você tirar um cochilo primeiro. – A senhora Jones pegou Lumina pela mão.

- Mudou sua opinião sobre Allix então? – Kazam perguntou para lumina.

- Como você diria: Ela não é do tipo que mataria a mãe pra ir ao baile dos órfãos.

Capítulo quatro

Na Área externa Sul.O diretor Dietrich e a professora Divina se dirigiam para a estação de trem na carruagem. Uma visão muito pouco comum, já que eles não tinham muita afinidade.

- Você não deveria estar em casa com seu filho? – Perguntou Divina. – Madison não saiu do lado dele.

- Madison se afeiçoou pelo garoto e é naturalmente preocupada. – Respondeu o diretor. – Ele não vai acordar nas próximas horas e eu vou estar lá.

- Muito interesse em nosso visitante? – Ironizou Divina.

- Você também está interessada em recebê-la.

- Todos nós estamos interessados. Maddox e Jones não vieram porque acham prioritário se livrar do vinculo de vida com Kazam. Eu mesma já disse que ele deveria ter feito isso antes.

- Maddox não disse nada por que ele estava com medo. Ele não foi apenas mortalmente ferido, ele foi cortado ao meio literalmente. O feitiço que Rembrandt fez não é apenas milagroso por ter sido feito por um garoto sem todo o ritual apropriado, mas por Maddox ter sobrevivido.

- Isso aumenta a lista dos mistérios sobre Kazam.

Ambos saíram da carruagem e se dirigiram para encontrar a plataforma de desembarque. O trem estava chegando com vários convidados para ver as festividades do festival de outono, alguns eram parentes dos alunos, outros antigos residentes da cidade de Sephirot e alguns ex-alunos que queriam relembrar seus tempos de estudantes.

Entre os visitantes uma figura muito deslumbrada com tudo o que via se destacava. Qualquer um que olhasse saberia que aquela pessoa não era daquele lugar, tanto pelas suas roupas que se assemelhavam a uma estereotipada fantasia de bruxa, quanto pela sua maneira de andar, muito semelhante a uma criança em uma loja de doces que não sabia para onde olhar. Uma das estátuas tentou pegar sua bagagem, mas ela não deixou e precisou de que um cadete lhe explicasse o procedimento. Divina não disfarçou sua surpresa.

- Ela é a pessoa que viemos encontrar?

- Exatamente. – Respondeu Erik fazendo um aceno.

Ela viu o diretor acenar e por alguns instantes duvidou que estivesse acenando para ela. Ela atendeu o chamado, caiu no chão, se levantou e correu na direção deles.

- Espero que se lembre de mim. – Cumprimentou o Diretor.

- Sim! Senhor Dietrich. – Ela respondeu.

- Essa é a professora Divina que leciona mântica e divinação.

- Devo dizer que sua filha é uma das minhas mais promissoras alunas. Senhora Aubryanne.

- Puxa! – Aubryanne sorriu um sorriso cheio de dentes. – Você pode me chamar só de Aubryanne mesmo.

- E você pode me chamar de Divina.

- Temos uma carruagem nos esperando. – Anunciou Erik. - Gostaria que nos acompanhasse.

- Puxa! Que tratamento. Eu esperava que só a Allix viesse me buscar.

- Na verdade ela ainda não sabia que estava vindo. – Respondeu Divina.

- Então vamos fazer uma surpresa? – Aubryanne subiu na carruagem animadíssima. – Aonde ela esta?

- Agora ela ainda está dormindo. Mas temos muito que fazer até lá.

- Posso fazer uma pergunta?

- Mas é claro.

- Como é que você enxerga com esse lenço nos olhos?

Capítulo cinco

No quarto do pônei alado Kassandra acordou ainda um pouco exaurida da noite anterior. Apesar de ter habilidades de uma feiticeira treinada estava longe de ser uma atleta ou lutadora. As outras garotas já estavam acordadas. Allissandra era a que visivelmente mais foi afetada de todas, após os exercícios intensos feitos pela sua versão do futuro seus músculos até pareciam ranger conforme ela se movia. Lucy continuava no mais profundo sono.

Devido à aventura na noite anterior as garotas haviam dormido até tarde e saíram alvoroçadas para aproveitar o festival. As garotas brincaram e comeram nas barraquinhas armadas, viram jogos e encontraram seus amigos. Em meio à brincadeira ouve uma incrível surpresa.

- Eu estive te procurando o dia inteiro. – Aubryanne disse carinhosamente colocando a mão no ombro de Allix.

Ela se virou e olhou sua mãe nos olhos. Ela era mais real do que a ilusão de Nimiane e seus olhos brilhavam mais do que sua versão do futuro.

Allissandra olhou para a mãe de cima para baixo e a abraçou tentando ver se ela realmente era real. Se ela realmente estava Ali. Ao ver a mãe ela não resistiu e começou a chorar. Finalmente elas se encontraram e não era mentira. Alguma coisa cresceu no peito de Allix fazendo com que todos os problemas do mundo sumissem. Queria contar tudo pra sua mãe e apresentá-la mãe pra todo mundo.

Para a surpresa de Allix, a parte mais incrível e maravilhosa do seu mundo da fantasia, fazia parte de uma de suas memórias. Incrivelmente era Realidade. Sua mãe. Aubryanne havia vindo para passar toda a semana do festival com ela. E estava mais linda e radiante do que qualquer sonho ou fantasia poderia imaginar.

As duas se abraçaram e o momento parecia durar uma eternidade. Palavras não poderiam expressar o que sentiam. Elas estavam juntas, a música parou e observaram os fogos. Allix quis contar todas as coisas incríveis que acontecera, também queria saber tudo que sua mãe passara e acima de tudo, queria apresentá-la as suas novas amigas. Foi uma festa maravilhosa, Lucy visivelmente tinha ciúmes, principalmente do gato Hamlet. Belle se sentiu um pouco tímida a principio, mas em pouco tempo já estava agindo como se fosse sua própria filha.

Allissandra passou o dia com Aubryanne mostrando tudo o que havia de interessante na cidade de Sephirot. Como sempre nesses momentos as horas passaram como meros momentos de alegria. No final do dia foram à praça de Daleth aonde as garotas do clube de eventos fariam uma das muitas comemorações que aconteceriam por toda Sephirot.

No final do dia se reuniram na festa de Nimiane no jardim de Aleph. Ela correu para contar para o pessoal, queria chamar e reunir todo mundo. Chamou Nycole para reunir todo o pessoal. Todos seus novos amigos estavam reunidos, inclusive a professora Lucy que saiu de noite. Assim que Allix apresentou sua mãe Lucy puxou seus olhos para Aubryanne que levava Hamlet no colo.

- Ora! Seu duas caras. – Lucy xingou no que Hamlet respondeu com sua interpretação de gato normal. – Eu te procurando o tempo todo e era ai que você estava? Viro as costas e já sai correndo atrás de outra mulher.

- Esse gato é seu? – Aubryanne cumprimentou. – Ele me seguiu o dia inteiro.

- Então é assim que está a ilustríssima grande mãe Pudim? – Lucy a olhou de cima a baixo. – Você está bem melhor do que eu esperava.

- Mais respeito Lucy. – Dietrich deu uma bronca. – Perdoe a atitude de nossa professora de Magia Negra. Ela é um pouco excêntrica.

- Você é uma professora? – Aubryanne se espantou.

- Não se surpreenda com esse corpinho. Eu tenho quase a mesma idade que você.

- Quase a mesma idade dela? – Allix puxou Lucy com ela. – Você tem mais de trezentos anos, sua antiguidade.

Enquanto Aubryanne ficou com os adultos as garotas foram se para a parte jovem da festa aonde encontraram todos reunidos se divertindo.

Seis fadinhas luminosas apareceram acompanhadas de uma música melodiosa faiscando entre as pessoas que as saudavam com grande reverencia, chamando muita atenção. Um grupo de Púcas e Duendes alegremente acompanhava as fadinhas se entrosando na festa.

Nimiane pulou alegre ao ver o grupo e saiu saltitante apresentando-as para todos. - É a minha mãe.

- A rainha do reino de Firewood[1] em Ingarden? – Perguntou Maiara. – Ela é bem menor do que eu imaginava.

- Então essa é a mãe da Nimiane. – Belle cumprimentou.

- Aonde é que está o Rembrandt? – Perguntavam as fadinhas. – Aonde é que está o Rembrandt?

Nimiane as levou para os garotos que foram abordados com uma certa insistência, principalmente Janus. – Você é o Rembrandt. Você é o Rembrandt?

- Não! Eu sou Janus. – Janus se apresentou. – Este é o Rembrandt.

- Quantos selos de magia. – A fadinha ficou admirada. – Você deve ser muito poderoso. Eu sou Titânia a rainha das fadas de Firewood. Garanto que você vai ter filhos poderosos.

- Ele é meu. – Nimiane ficou no caminho. – Não pode.

- Que atitude mais local. – Criticou Titânia. – Você precisa passar mais tempo em casa. Mas não vamos nos exaltar, este lugar está cheio de belos procriadores. – Titânia e as meninas revoaram em volta de Janus.

- Eu sinto que você tem muita magia e de uma linhagem antiga. Não quer se relacionar com uma das meninas.

- Então é assim? – Resmungou Nycole. – Elas simplesmente saem por ai escolhendo com quem vão ter filhos?

- As fadas de Firewood possuem uma relação bem diferente em relação aos homens. – Explicou Kassandra. - É uma sociedade matriarcal, os homens só servem pra procriar e ajudar a criar os filhos. Depois cada um vai pro seu lado.

- São um bando de fadinhas safadinhas. – Observou Yuna.

- Ta! – Nycole desprezou. – E como é que se procria com alguém de 30 centímetros?

- Eu acho que não será possível, por uma incompatibilidade de tamanhos. – Janus comentou educadamente.

- Me desculpe! – Titânia mudou para uma mulher tão deslumbrante quanto Nimiane e com uma aparência bem menos humana pela pele multicolorida e as asas. As cinco irmãs de Nimiane também eram quase tão atraentes e exóticas quanto ela.

- Elas estão todas atrás do Janus. Soleil reclamou afastando Thomas que não tinha certeza se ficava triste ou animado. - Elas pelo menos podiam vestir alguma roupa. É melhor você nem se aproximar.

Kazam reparou que a única pessoa que não estava se divertindo era Allissandra. Cordialmente ele pegou um copo da bebida e levou pra ela.

- Isso é aquela bebida que as Duendes trouxeram? – Allissandra perguntou desconfiada. – Eu já tive meu estoque de comida Duende pro resto da vida.

- É melhor não saber. – Sorriu Kazam. – Apenas aprecie o sabor.

Allix experimentou um pouco.

- Porque não está se divertindo com os outros?

- Estou aliviada.

- Aliviada?

- Está tudo resolvido agora. –Allix Suspirou aliviada. - Só nos resta deixar com os adultos a descoberta dos verdadeiros culpados. Agora podemos aproveitar nossa juventude de verdade.

- Essa experiência de viagem no tempo te deixou bem mudada. – Kazam olhou no fundo dos olhos de Allix. – Eu poderia até pensar que você é a Allissandra do futuro.

- O que é isso? – Allix sorriu encabulada. – Eu pareço tão madura assim pra você pensar que existe uma mulher dentro do meu corpo?

- Sim! Digamos que você está mais madura do que me lembro.

- Então... Obrigada. Vou tomar isso como um elogio.

Os fogos começaram a estourar formando uma coroa a cima da grande arvora da vida. Kazam estava lá e para Allix foi mais do que o suficiente. Continuava Alegre e brincalhão. Não fazia o perfeito par romântico com Nimiane, mas tanto Allix, quanto Kassandra sentiam que eles combinavam. Ele não fazia a mínima idéia e Nimiane não tinha coragem de se declarar. Tudo estava de volta ao normal. Isso era mais do que perfeito.

- Mesmo assim... – Allix declarou timidamente. – Ainda existe uma coisa que eu queria saber.

- O que foi? – Perguntou Kazam sorridente.

- Puxa! Você nunca me disse qual foi o verdadeiro motivo porque teve tanto trabalho pra me trazer até aqui.

- Rembrandt! – Aubryanne chamou a atenção. – Rembrandt é mesmo você? Como você cresceu meu querido.

- Dona Aubryanne! – Kazam cumprimentou sorridente. – A senhora está magnífica.

Por alguns instantes Allissandra ficou atônita, sem saber o que dizer.

- Vo-vocês já se conhecem?

Capítulo final

Quando Allissandra era criança sua casa parecia um lugar enorme e mágico, cheio de segredos em todos os cantos. Principalmente dentro de gavetas e armários que sua mãe sempre tirava as mais incríveis surpresas que ela não fazia a mínima idéia que existia.

Outra coisa mais mágica e incrível era o mundo do lado de fora que ela nem imaginava como era. Ela olhava pela janela e imaginava como se chagava nos lugares incríveis que ela via em fotos e em filmes, incrível também era como sua mãe sempre sabia como chegar nesses lugares incríveis que não existiam nem em fotos ou em filmes.

Às vezes apareciam adultos estranhos na sua casa, alguns que sua mãe conhecia, alguns traziam crianças que aos poucos foram se tornando suas amigas, como Elena e Svetlana que depois ela foi pra escola com elas e cresceram juntas. Mas o mais extraordinário de todos foi um homem muito grande e misterioso que apareceu com uma criança mágica.

Esse homem era um antigo amigo do seu pai e isso fazia dele ainda mais especial, pois Allissandra sabia que seu pai era um bruxo muito poderoso que tinha partido há muito tempo para enfrentar uma ameaça grande e terrível, por isso ela podia viver feliz e segura já que seu pai cuidava dela muito de longe, pelo menos era o que sua mãe lhe contava.

Como aquele homem era um velho amigo de seu pai ele também deveria ser do lugar mágico de onde seu pai viera, assim como o menino também. Definitivamente era um menino mágico, pois tinha um olho de cada cor e uns desenhos incríveis pela sua pele que cobriam até metade do seu rosto, incluindo a orelha.

Allissandra brincou muito com o menino mágico, passearam pela cidade, foram à praia, ao cinema, ao parque, compraram brinquedos e tiveram muitas aventuras até o dia em que o menino foi embora.

- Muito obrigada por tudo senhor Dietrich. – Agradeceu Aubryanne, mas não precisava.

- Não é nada. – Respondeu o homem. – Eu não poderia deixar a esposa do meu melhor amigo desamparada.

- Eu ainda acho que é muito dinheiro. – Insistiu Aubryanne encabulada.

- Eu gostaria de oferecer muito mais, vocês deveriam morar em uma mansão. O seu esposo foi uma pessoa muito importante.

- Realmente eu prefiro dessa maneira senhor. O dinheiro que o senhor está me dando é mais do que o suficiente para nos mantermos com conforto. Além disso não acho conveniente chamar a atenção.

- Eu vejo que você continua usando seu nome de solteira.

- A pedido do meu marido. Ele não queria que algum vilão se vingasse em nós e ele partiu antes de resolver todos os seus problemas.

- Realmente. – O sr Dietrich concordou envergonhado. – Eu prometo que enquanto eu puder continuarei mandando dinheiro toda semana.

- Novamente estou muito obrigada senhor. – Aubryanne fez um gesto para que Allissandra agradecesse também.

- Sou eu quem tem que agradecer. Principalmente pelo pequeno Rembrandt, as crianças geralmente não se sentem muito confortáveis com a aparência dele. Você tem uma mocinha muito especial.

- Realmente, ela é muito especial.

- Me perdoe por deixar você sozinha com eles. Eu estive muito ocupado.

- Eles fizeram maravilhosas lembranças. – Sorriu Aubryanne.

- Uma pena que são tão pequenos, logo vão se esquecer. Eu gostaria de ter tirado umas fotos.

- Não vamos não. – Allissandra se zangou. – Vamos fazer um juramento Rembrandt de que nunca vamos esquecer um ao outro.

Kazam concordou com a cabeça. – Mesmo que leve um montão de anos vamos nos encontrar de novo.

- E você vai me levar pra morar no lugar mágico onde tem fadas e bruxas pra eu aprender mágica que nem que o meu pai.

- Eu prometo que eu vou voltar pra te levar pro lugar mágico.

Os dois cruzaram seus dedinhos e selaram um pacto.

O tempo foi passando e Allissandra foi crescendo, aos poucos suas lembranças foram se esticando e se alterando, até que as lembranças se tornaram uma fantasia e a fantasia um sonho.

Mesmo assim de certa forma ele sempre se lembrou e às vezes quando se sentia melancólica se lembrava com saudades de um sonho que teve quando era criança, um sonho com um menino mágico, com um olho de cada cor que prometeu que um dia voltaria e a levaria para seu mundo mágico.

Kazam nunca se esqueceu.



[1] Firewood: A Floresta escarlate de Ingarden. Leia “a princesa da Floresta Escarlate.”


Palavrinha do autor...

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